a tua alma é um poeta num papel


Faz uma lista dos teus grandes amigos. Quem mais vias há cinco anos atrás? Quem ainda vês, todos os dias? Quantos é que já não vês? Quantos amigos perdeste? Faz uma lista dos sonhos que tinhas. De quantos desististe? Quanto amores juraste que seriam para sempre? Onde te reconheces? Numa foto antiga ou no espelho? Hoje, é como tu achavas que seria? Quantos segredos guardavas que agora já não importam a ninguém? Quantas mentiras contaste? E, quantas perdoaste? Quantos defeitos que tinhas, se tornaram o melhor de ti? Quantas músicas odiavas e hoje assobias? Quantas pessoas amas hoje que te amam de volta? Existem tão poucos que se preocupam realmente. Que pensam que tu também tens um coração, que não és feito de ferro. Que ninguém é igual a ninguém. Vão existir pouquíssimos que estarão prontos a ajudar-te. Mas, não tenhas medo de errar, de tentar. Sê humano, erra, sem medo de ser feliz novamente. Ultrapassa os teus limites. Não fiques em baixo por pessoas que não merecem e, sorri, quando estiveres magoado. Mostra-lhes que és melhor que isso, sê tu próprio, com as tuas qualidades e defeitos. Mostra que és forte e superior, que a tua queda hoje vai ser a tua força amanhã, que as tuas lágrimas se vão transformar em sorrisos e que mesmo com os altos e baixos vais sempre ficar bem. Mostra que vais superar tudo e passar por cima de qualquer dificuldade. Porque, no final, tens de ser feliz. Entre um e outro cigarro, vejo-te a 1900 quilómetros de mim, deixando que o medo te vença. Mas, não deixes que a saudade te sufoque, não te deixes acomodar a uma rotina, por medo de tentar. Acredita em ti. Aproveita o tempo para realizares os teus desejos. Mas, tem paciência, porque a felicidade não depende do tempo, nem do dinheiro, nem da sorte. Ela vem sem tu notares. E, vai chegar a tua vez. Vais ver que é simples, que não é assim tão complicado. Muitas vezes, basta que abras uma janela e sintas uma brisa na tua cara, para te sentires feliz. Ou, basta saíres, comeres um gelado e dizeres olá a uma pequena criança. Porque, agora, pareces um iceberg. Frio, com aspecto de durão. Mas, na minha opinião pessoas que parecem icebergs são na verdade um bando de românticos encubados. Como tu. Como eu. Como cada pessoa que espelha o que sente em meras palavras.
Porque a tua alma é um poeta num papel, meu querido Filipe.